Pais denunciam falhas em protocolos de segurança em escola do Acre após ataque no Instituto São José
Pouco mais de uma semana após o atentado armado que matou duas servidoras no Instituto São José, em Rio Branco, pais de alunos da Escola Estadual Samuel Barreira denunciam falhas na aplicação dos protocolos de segurança anunciados pelo governo do Acre para o retorno das aulas presenciais na rede estadual.
As reclamações começaram a circular em grupos da comunidade escolar e apontam que os detectores de metais teriam sido utilizados de forma incompleta no primeiro dia de retorno das atividades e deixaram de ser usados já no segundo dia de aula.
Segundo relatos encaminhados à reportagem, os procedimentos realizados na entrada da escola teriam se limitado à passagem do detector de metais nos estudantes, sem inspeção das mochilas e bolsas — principal medida considerada necessária pelos pais para impedir a entrada de objetos perigosos na unidade.
“Bom dia, eu e alguns pais notamos que passaram o detector apenas nas crianças e não nas mochilas, que é onde teria algum tipo de risco de conter algo”, relata uma das mensagens enviadas à redação do portal A GAZETA.
Os responsáveis também afirmam que houve comentários de que alguns detectores estariam desligados durante o controle de acesso.
Outro ponto que gerou indignação entre os pais foi a forma como parte dos profissionais teria tratado os novos procedimentos de segurança.
“Alguns professores que estavam entrando na escola trataram a recomendação de passar pelo detector como se fosse algo engraçado em meio ao caos do que aconteceu, uma falta de respeito com o ocorrido”, diz outro trecho da mensagem.
Falta de reunião com os pais
Além das críticas aos protocolos adotados, os responsáveis afirmam que não houve reunião prévia para apresentação das medidas de segurança definidas para o retorno das aulas presenciais.
Segundo os pais, o governo havia informado que as escolas realizariam encontros de acolhimento e orientação com familiares após o atentado registrado no Instituto São José.
“Comentamos também o fato de não ter tido uma reunião antes do retorno das aulas, já que o Governo do Acre impôs a realização de reuniões com pais e responsáveis como parte do protocolo de segurança para o retorno das aulas presenciais”, afirma a mensagem enviada à reportagem.
Na manhã desta quinta-feira, 14, imagens encaminhadas ao portal A GAZETA mostram a movimentação de estudantes dentro da unidade sem a presença aparente dos procedimentos de controle de acesso anunciados pelo Estado.
Protocolos após atentado
Após a tragédia no Instituto São José, a Secretaria de Estado de Educação e Cultura (SEE) anunciou reforço nos protocolos de segurança em todas as escolas estaduais.
Entre as medidas divulgadas estavam:
- inspeção visual de mochilas e bolsas;
- utilização de acesso único nas escolas;
- restrição da circulação de pessoas não autorizadas;
- reforço no policiamento escolar;
- reuniões de acolhimento com pais, alunos e servidores.
O ataque ocorreu no último dia 5 de maio, quando um adolescente de 13 anos entrou armado no Instituto São José e efetuou disparos dentro da unidade. Duas inspetoras morreram e outras pessoas ficaram feridas.
Após o atentado, as aulas da rede estadual chegaram a ser suspensas temporariamente.
SEE diz que vai acompanhar situação
A reportagem entrou em contato com a direção da Escola Estadual Samuel Barreira e também com a Secretaria de Estado de Educação solicitando esclarecimentos sobre as denúncias apresentadas pelos pais.
A escola não se pronunciou até a última atualização desta matéria.
Já a SEE informou, por meio de nota, que a situação será acompanhada junto à gestão da unidade para verificar os procedimentos adotados e reforçar as orientações relacionadas ao controle de acesso e uso dos detectores de metais.
Segundo a secretaria, o policiamento escolar também deverá intensificar ações de orientação e apoio às equipes escolares.
“O governo reafirma seu compromisso com a segurança da comunidade escolar e destaca que os protocolos seguem em avaliação e aperfeiçoamento contínuo”, informou a pasta em nota.
Confira a nota da SEE na íntegra:
“A Secretaria de Estado de Educação e Cultura do Acre (SEE) informa que a situação será acompanhada junto à gestão da unidade para verificação dos procedimentos adotados e alinhamento das orientações relacionadas ao controle de acesso e utilização dos detectores de metais portáteis.
Além disso, junto à equipe de policiamento escolar, que já atua em parceria com a secretaria, reforçará as ações de orientação e apoio às equipes escolares quanto à correta aplicação dos protocolos.
O governo reafirma seu compromisso com a segurança da comunidade escolar e destaca que os protocolos seguem em avaliação e aperfeiçoamento contínuo, conforme o acompanhamento realizado pelas equipes técnicas e pelos órgãos que integram o Observatório de Segurança Escolar.”



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