“Encontramos uma forma singela de eternizar uma figura exemplar”, diz comandante sobre homenagem a sargento morto em operação

Uma pintura instalada na sede do Corpo de Bombeiros Militar do Acre (CBMAC), em Rio Branco, passou a carregar a memória de um dos nomes mais respeitados da corporação. A homenagem ao 2º sargento Isnard Werner, morto durante uma operação de mergulho no Rio Juruá Mirim, em Cruzeiro do Sul, transforma em imagem o reconhecimento por uma trajetória construída dentro da instituição ao longo de 13 anos.
Isnard tinha 35 anos, era instrutor de mergulho e integrava a equipe especializada da corporação desde 2013. Ao longo da carreira, participou de operações de salvamento, formação de militares e missões consideradas de alto risco. Casado, deixa esposa e um filho de um ano e cinco meses.
A homenagem foi apresentada nesta semana na sede da corporação, no bairro Morada do Sol, e, segundo o comandante-geral do CBMAC, coronel Charles da Silva Santos, a ideia surgiu como forma de preservar a memória de um profissional cuja presença marcou diferentes áreas da instituição.
“Sempre que estamos aqui nesse paredão, fazemos homenagens a fatos especiais do Corpo de Bombeiros. Este ano tivemos essa fatalidade, que foi a perda do sargento Isnard. Encontramos uma forma singela de eternizar essa figura exemplar”, afirmou.
Mais que um mergulhador
Dentro da corporação, Isnard acumulou funções que iam além das operações de resgate. Atuou no Colégio Militar, na Diretoria de Ensino e na formação de novos bombeiros, sendo apontado por colegas como uma referência técnica e humana.
Ao falar sobre o militar, o coronel evita resumir a trajetória a um único episódio.
“Falar de apenas um evento seria injusto. Ele colaborou em dezenas de operações, participou da formação de muitos bombeiros e sempre foi uma fonte de inspiração”, disse.
Segundo o comandante, Isnard era reconhecido pelo comprometimento e pela forma como encarava a profissão.
“Era um bombeiro que respirava e transpirava a instituição”, resumiu.
Na pintura, ao lado do sargento, também aparece Cerys, a primeira cadela utilizada pelo Corpo de Bombeiros do Acre no trabalho com binômios, operação conjunta entre bombeiro e cão de resgate. O animal também já morreu e, para a corporação, simboliza uma parte importante da história operacional da instituição.

A memória dentro de casa
Para a esposa de Isnard, Caroline Bezerra, a homenagem ultrapassa o gesto simbólico e se torna uma forma de manter viva a presença do marido para a família e para quem conheceu sua história.

“O Isnard, antes de tudo, era o meu marido e o nosso porto seguro. Dentro de casa, era um homem presente, amoroso e muito dedicado à família”, contou.
Ela diz que ver o rosto do marido eternizado no mural trouxe sentimentos difíceis de organizar.
“Foi uma mistura de emoção, saudade e orgulho. Ver o rosto dele ali é perceber que tudo o que ele foi e fez jamais será esquecido”, afirmou.
Segundo Caroline, a dedicação à profissão era parte da forma como Isnard enxergava a vida.
“Ele não apenas exercia a profissão. Ele acreditava nela. Tinha um senso de dever muito forte e um coração disposto a ajudar”, lembrou.
Para o filho do casal, ainda pequeno, ela acredita que a homenagem terá um peso ainda maior no futuro.
“Será sempre um símbolo de quem o pai foi. Um herói de verdade”, disse.
O mural passa a integrar a sede da corporação como uma homenagem permanente ao sargento. Para colegas, familiares e até novos bombeiros, a imagem mantém viva a memória de um profissional que marcou a história da instituição.
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